Resumo

Este artigo investiga como o mercado de datacenters gera riqueza econômica a partir de três camadas distintas e complementares. A primeira abrange os impactos diretos da construção, empregos gerados na obra, aquisição de materiais, contratação de engenharia, terraplenagem, infraestrutura elétrica, conexão de fibra e arrecadação de tributos locais. A segunda reúne os efeitos indiretos e induzidos, que surgem da ativação de fornecedores, serviços de manutenção, segurança, facilities, telecomunicações, hotelaria, alimentação e da circulação de renda nas economias regionais. A terceira e mais expressiva, no longo prazo, diz respeito ao valor sistêmico da computação em nuvem: ganhos de produtividade, redução de custos de TI, aceleração da inovação, surgimento de startups, escalabilidade empresarial e atração de novos investimentos. Para tornar a comparação entre projetos de diferentes escalas objetiva e replicável, o estudo propõe o MW de TI como unidade de análise central. Os resultados indicam que a construção de datacenters produz riqueza local relevante no curto e médio prazo, mas o efeito econômico de maior magnitude e alcance, no horizonte de longo prazo, provém do uso intensivo dos serviços de cloud e da digitalização que eles tornam possível. Em valores normalizados, cada MW de TI pode estar associado a investimentos de construção entre US$ 7 milhões e US$ 15 milhões, de 60 a 120 empregos-ano diretos na fase de implantação, e a um valor econômico habilitado pelo cloud entre US$ 15 milhões e US$ 60 milhões por ano.

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